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Altos Pesos De Abate - Uma Tendência Mundial

Por Julio Henrique Emrich Pinto

Quinta-feira, 1 de Novembro de 2018 às 13h06

Altos Pesos De Abate - Uma Tendência Mundial

 

 

  1. Considerações iniciais

 

A suinocultura brasileira tem conquistado seu espaço no cenário de produção tanto nacional como mundial, ocupando, atualmente, a quarta posição de maior produtor mundial de carne suína. Além disso, o mercado consumidor que responde por um consumo per capta de 14,7 kg/habitante vem exigindo carnes magras com menor deposição de gordura na carcaça.

Esses animais são abatidos tradicionalmente com peso vivo médio de 100 kg, porém, nos últimos anos, a evolução de estudos e de tecnologias na suinocultura permitiu a produção de carcaças mais pesadas. De acordo com a legislação brasileira, animais com peso mínimo de abate de 130 kg são considerados “suínos pesados”.

Essa elevação no peso de abate pode proporcionar redução de custos de produção, aumento da eficiência do processo produtivo, diversificação de cortes e a fabricação de produtos especiais e diferenciados. Entretanto, o aumento no peso de abate ainda é uma tendência de mercado, devido à impressão difundida nos setores de produção de que ocorrerá aumento na quantidade de gordura subcutânea (toucinho), muito embora, estudos tenham mostrado que a produção de suínos com elevado peso de abate tem pouco efeito sobre as características e qualidade da carcaça. A utilização de estratégias nutricionais específicas para esse novo perfil animal é outro fator que deve ser considerado do ponto de vista produtivo, econômico e ambiental, principalmente quando se considera o alto custo (60%) da alimentação dentro do sistema de produção.

Milho e farelo de soja são os ingredientes mais utilizados no Brasil para alimentação de suínos e vêm se valorizando constantemente, elevando os custos de produção. Embora tenham ocorrido aperfeiçoamentos na suinocultura em todas as óticas de produção (nutrição, manejo, ambiência), a alimentação desses animais ainda representa, em média, 70% dos custos totais de produção, incrementando a busca por alternativas que possibilitem a redução de custos, mantenha o desempenho e que atenda à demanda existente do mercado globalizado.

Pequenos ajustes na composição da dieta podem ocasionar alterações nos custos produtivos e fazer grande diferença no total de nutrientes excretados pelos animais, o que é relevante do ponto de vista ambiental. A suinocultura é considerada um dos sistemas de produção animal com maior impacto poluidor do meio e, por isso, é bastante pressionada por órgãos ambientais para reduzir o impacto dos dejetos. Essas modificações nutricionais podem ser feitas de diversas maneiras, porém, o seu uso deve atender às necessidades dos animais, para que não ocorram déficits ou excessos, permitindo melhor utilização dos nutrientes, mantendo ou melhorando seu desempenho zootécnico e a qualidade de carcaça.

Diante dos desafios expostos, existe a necessidade de se buscar novas estratégias que garantam o aumento de produção de carne suína com menor teor de gordura, atendendo aos diferentes mercados consumidores. Nesse sentido, o melhoramento genético iniciou uma pressão de seleção por animais mais pesados e que, consequentemente, apresentam elevada demanda nutricional. Concomitantemente, a nutrição vem participando, de forma expressiva, para obtenção desse tipo de animal. Para isso, recorrer a uma nutrição de precisão, de acordo com os conceitos de proteína ideal, ou utilizar aditivos tecnológicos capazes de melhorar a qualidade intestinal ou atuar como repartidor de nutrientes, de forma a proporcionar maior deposição muscular e redução da gordura na carcaça, são estratégias eficientes.

Outras estratégias como a peletização das rações, a restrição alimentar, a utilização de fibras na dieta e a imunocastração também podem ser utilizadas com a mesma finalidade. Elas garantirão lucratividade ao produtor, com maior produção de carne por matriz/ano, e aos frigoríficos, com maior rendimento de cortes nobres, com o mesmo número de animais abatidos.

 

  1. Suínos pesados e o melhoramento genético

 

O abate de suínos no Brasil era tradicionalmente realizado, quando os animais atingiam 90 a 120kg. Durante muito tempo essa prática não foi alterada devido à impressão difundida na cadeia suinícola de que, ao se aumentar o peso de abate, também se aumentaria a quantidade de gordura subcutânea do animal e isso levaria à perda de eficiência alimentar (Rosa et al., 2008). Porém, a elevação no peso de abate dos suínos tem sido alvo de interesse dos gestores de sua cadeia produtiva que têm como objetivo a redução de custos e o aumento do volume final de produção (Dutra Jr. et al., 2001).

De acordo com a normativa do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento-MAPA (Brasil, 2000), animais com peso ao abate mínimo de 130 kg são considerados “suínos pesados” Na transição para a sistema de produção de suínos pesados alguns importantes fatores devem ser considerados tais como: ponto ótimo de abate, dimensionamento das instalações, altura de linha nos abatedouros, volume de efluente produzido por quilo de produto final, rendimento de cortes. Diante dessa nova estratégia para fase de terminação, a avaliação do efeito do peso de abate sobre as alterações no rendimento e qualidade da carcaça e da carne, bem como na economia do sistema produtivo, tem sido tema de pesquisas recentes (Bertol et al., 2015; Oliveira et al., 2015).

Oliveira et al. (2015) ao avaliarem o peso ótimo de abates de suínos observaram que o ponto ótimo econômico para o abate seria em torno de 135 kg de peso vivo, sem necessidade de alterações nas estruturas logísticas dentro do processo produtivo. Assim, para o mesmo volume de recursos utilizados, pode-se abater menor quantidade de cabeças com 135 kg do que com 100 kg de peso vivo, reduzindo o custo de abate por animal e obtendo-se o mesmo volume final de carne. Ainda segundo Latorre et al. (2004), com o aumento do peso de abate cortes com dimensões maiores são obtidos. Esses cortes podem apresentar características para processamento e organolépticas melhores, consolidando-se como uma opção mais vantajosa.

Pressões mercadológicas fizeram com que o melhoramento genético dirigisse suas atenções para deposição de carne magra em detrimento à deposição de gordura no suíno terminado. Os genótipos mais pesados à maturidade (geralmente os mais selecionados geneticamente) tendem a crescer rapidamente e depositar mais proteína e menos gordura que os animais mais leves à puberdade, independentemente do consumo energético ao qual são submetidos.

Outro ponto extremamente importante a ser considerado é que a seleção para carcaças mais magras também acarretou a seleção de animais com menor consumo de ração e melhor conversão alimentar, tornando-os mais vulneráveis a eventos sanitários e/ou ambientais que deprimam ainda mais o seu consumo. Segundo Bertol et al. (2001), suínos que apresentam genótipos com alto potencial para deposição de carne magra e baixo consumo voluntário de alimento não respondem à restrição de energia, independentemente do peso ao início da restrição, para melhorar o desempenho e a qualidade da carcaça.

À medida que aumenta a idade e o peso dos animais, ocorrem acentuadas mudanças fisiológicas que promovem mudanças nas características finais da carcaça. Diante disso, é possível utilizar métodos ou modelos de predição de características de carcaça, que mensurem excessos ou déficits de nutrientes e/ou energia, para se obter uma estratégia nutricional mais adequada à fase de crescimento ou produtiva em que se encontra o animal.

 

  1. Estratégias nutricionais

 

Outro fator diretamente relacionado à economia no processo produtivo de suínos pesados, bem como nas suas respostas de desempenho, é a correta determinação das suas exigências nutricionais e a elaboração de estratégias alimentares ajustadas a esse perfil animal. Entende-se como estratégia nutricional, o manejo de dietas (número de dietas), a composição química e forma física das dietas. Já manejo alimentar seria o método de arraçoamento e a quantidade diária de dieta oferecida. Suínos consomem alimentos para satisfazer suas necessidades de energia para manutenção e crescimento, dessa forma, assume-se que o consumo de ração é feito de acordo com a concentração de energia da dieta, desde que fatores como tamanho de trato digestório, digestibilidade e densidade da dieta não sejam limitantes. Além disso, a determinação do consumo, de acordo com a concentração energética da dieta também implica que os nutrientes sejam expressos em relação à energia da ração.

Em granjas comerciais é comum encontrar o manejo alimentar à vontade, desde o desmame até que os animais atinjam o peso de abate requerido pelo mercado. No entanto, quando o consumo de energia excede à exigência de produção de carne magra, a quantidade de gordura na carcaça suína tende a aumentar, fato que pode  ocasionar a perda de bonificação ao abate. Diante disso, o uso da restrição alimentar é desejado quando promove aumento da eficiência alimentar e proporciona carcaças com maior percentual de carne magra.

A restrição alimentar pode ser quantitativa ou qualitativa. A primeira se dá pela redução da quantidade de ração fornecida aos animais e pode ser utilizada para redução do consumo de energia, proporcionando melhora na qualidade da carcaça. Já a restrição alimentar qualitativa reduz o consumo energético dos animais com a inclusão de ingredientes de menor valor calórico às rações. Entretanto, de acordo com Bertol et al (2001), nem sempre é possível observar o efeito da restrição alimentar nos animais, visto que fatores como sexo, genética e peso podem influenciar na eficiência da restrição. Com o aumento da idade e, principalmente, da espessura de toucinho, tem-se como resultando uma conversão alimentar maior. Essa redução da conversão alimentar pode ser entendida como uma menor eficiência produtiva do animal e um maior custo de produção a campo.

No que concerne ao ajuste nutricional das dietas, maiores esforços têm sido feitos quanto ao consumo de energia e de aminoácidos. Nesse sentido, dietas que eram formuladas com base na composição nutricional total dos ingredientes passaram a ser formuladas com base no conteúdo de energia líquida e aminoácidos digestíveis. Esse avanço permitiu expressar o valor nutricional dos ingredientes na mesma unidade das exigências de energia (exigência líquida) e aminoácidos, considerando o destino metabólico dos nutrientes no animal. Assim, a formulação de dietas ajustadas ao desenvolvimento dos animais com a aplicação de novos conceitos como modelagem nutricional já é uma realidade.

Rações com níveis proteicos acima das necessidades dos animais fazem com que o excesso dos aminoácidos seja catabolizado, proporcionando sobrecarga no fígado e nos rins que precisarão eliminar o nitrogênio, que se encontra em excesso. Além disso, devido ao alto incremento calórico da proteína, pode haver redução da energia líquida destinada às funções produtivas. Ainda, considerando o custo da proteína dietética, geralmente fornecida na dieta a partir do farelo de soja, a redução na inclusão desse ingrediente poderia acarretar em redução dos custos de produção.

Com o avançar da idade, as necessidades proteicas dos animais diminuem e muitas das formulações de dietas de suínos apresentam conteúdo de proteínas e aminoácidos acima do exigido. A ingestão de aminoácidos é importante para o crescimento de tecido magro, e a lisina é o primeiro aminoácido limitante na produção de suínos. Sua função está relacionada à deposição de proteína nos tecidos e é também o aminoácido referência na proteína ideal. O conceito de “proteína ideal” pode ser definido como o balanço exato de aminoácidos que é capaz de prover, sem excesso ou falta, os requerimentos de todos os aminoácidos necessários para a manutenção animal e máxima deposição proteica (Suida, 2001). Fazer uso dessa técnica em dietas de suínos, além de auxiliar na redução de custos com alimentação, contribui para redução de excreção de nitrogênio no meio. Além disso, a preocupação com a relação entre proteína/energia e/ou lisina digestível/energia também possui relação direta com o padrão de deposição de gordura na carcaça.

A suplementação de dietas utilizando aminoácidos sintéticos é uma das práticas que visam tanto minimizar o impacto ambiental como potencializar os resultados de desempenho e qualidade de carcaça. Contudo, estudos com base em modelagem nutricional e alimentação de precisão têm mostrado que mesmo as exigências de aminoácidos presentes nas atuais tabelas nutricionais estão superestimadas.

Fraga et al. (2015) ao analisarem, por modelagem, as exigências de lisina para suínos em terminação em diferentes cenários de produção, observaram um excesso de 17,6 % de lisina em relação ao exigido pelos animais, em todos cenários avaliados. Diante disso, é recomendado melhorar o balanço de aminoácidos na alimentação dos suínos e associar ao resultado obtido à redução de PB da ração, possibilitando maior eficiência na utilização dos nutrientes pelo animal.

A tendência para produção de suínos gira em torno da alteração do peso de abate desses animais, sendo, portanto, essencial o conhecimento da curva de crescimento para a determinação de estratégias nutricionais adequadas à demanda desses animais para assegurar o máximo desempenho e qualidade de carcaça. O uso da modelagem nutricional nas estimativas das exigências de suínos pesados pode proporcionar a formulação de dietas mais ajustadas nutricionalmente e eficientes quanto ao desempenho.

A determinação das exigências pelo método empírico, encontrado nas principais tabelas, é definida por uma exigência nutricional média dos animais, ou seja, tal método estima a exigência de um único indivíduo, que passa a representar toda a população, sem considerar a variabilidade entre eles. Esse comportamento, quando se trata de alimentar populações heterogêneas, resulta na utilização de dietas com excesso de nutrientes, visando atingir uma margem de segurança que assegure que todos os animais expressem a máxima resposta em termos de desempenho.

Rações desbalanceadas, principalmente no que se refere a aminoácidos e minerais, acarretam despesas ao produtor, aumento na excreção de nitrogênio e fósforo nos dejetos e podem não ser eficientes para proporcionar melhor desempenho animal. Diante disso, a elaboração de estratégias nutricionais feitas com base nos cenários de produção, no perfil do animal da granja, com o ajuste do balanço entre a oferta de nutrientes dos ingredientes e à exigência nutricional dos animais, pode otimizar os sistemas produtivos.

Em termos nutricionais, há um “ponto ótimo” de ingestão de energia pelo suíno, no qual a deposição proteica é máxima. A deposição de proteína aumenta linearmente até esse “ponto ótimo”, a partir de onde há um crescimento acentuado na taxa de deposição de gordura. A prática de manejo que garante baixa deposição de gordura parte da determinação do “ponto ótimo” e, então, alimentar os suínos próximos desse consumo energético.

 

  1. Aditivos tecnológicos

 

Embora sua utilização seja cada vez mais restrita no âmbito mundial, a ractopamina, aditivo alimentar ß-agonista, possui efeitos comprovados e expressivos na melhoria de desempenho e características de carcaça de suínos em terminação. Há um efeito dose dependente até os 20 ppm de inclusão, principalmente quanto à conversão alimentar e rendimento de carne magra. Considera-se um aumento de 30% na taxa de síntese muscular e uma redução de 6% na deposição de gordura, pois, além dos efeitos diretos sobre síntese e degradação de gordura, parte da energia da dieta é desviada para síntese de proteína muscular (Dunshea et al., 1993).

Atualmente há uma crescente demanda por alimentos livres de resíduos químicos e com características capazes de trazer benefícios para a saúde. Essa demanda advém tanto de mercados importadores, quanto de alguns grupos de consumidores. Em média mais de 160 países apresentam tolerância zero à utilização de ractopamina e cerca de 26 países já estabeleceram limites máximos de resíduos de ractopamina na carne (Rodrigues, 2013). Por esse motivo, possíveis substitutos da ractopamina vêm sendo pesquisados, entre eles: os ácidos linoleicos conjugados (CLA) e a suplementação de picolinato de cromo e cromo-metionina.

O ácido linoléico conjugados (CLA) é uma mistura de isômeros do ácido linoléico (ácido cis-9, cis-12 octadecadienóico). A rejeição da sociedade ao CLA é bem menor que a rejeição aos beta-adrenérgicos, pois o CLA é um composto presente na gordura e que possui importantes propriedades benéficas à saúde do consumidor, como a redução de gordura corporal (Rodrigues, 2013). Surek et al. (2011) concluíram que dietas com CLA reduzem a espessura de toucinho na última costela e apresentam melhor rendimento do pernil desossado, lombo e filé de suínos.

Outro possível substituto da ractopamina é o cromo, que, sob a forma de complexos orgânicos, possui efetividade na melhoria da carcaça. Segundo pesquisas, a suplementação dietética de cromo para suínos melhora a qualidade da carne, principalmente reduzindo a oxidação lipídica e aumentando a vida de prateleira. Segundo Renteria e Cuarón (1998), ao avaliar suínos em crescimento e terminação que foram suplementadas com 200 ppb de picolinato de cromo, não foram identificados efeitos sobre o desempenho, no entanto observou-se redução da espessura de toucinho de 3,14 para 2,95 cm nas carcaças.

A suplementação de cromo-metionina é capaz de reduzir significativamente o consumo diário de ração dos animais sem alterar a conversão alimentar de suínos em crescimento e terminação. Essa redução no consumo diário de ração em dietas suplementadas com cromo-metionina, segundo relatos de Oliveira et al. (2007), pode ser causada pelo aumento da digestibilidade da matéria seca, que proporciona o maior aproveitamento dos nutrientes dietéticos.

 

  1. Imunocastração

 

Outra tecnologia de grande interesse para manipular a deposição de gordura na carcaça de suínos é a imunocastração. O protocolo atualmente em uso no Brasil tem a segunda dose da vacina aplicada aproximadamente 3 a 4 semanas antes do abate (o benefício é ainda mais interessante em realidades de alto peso de abate), para que as substâncias odoríferas sejam metabolizadas adequadamente e para que se extraia os efeitos positivos dos esteroides masculinos (anterior à imunocastração) sobre o desempenho e carcaça.

Um desafio da imunocastração a campo é de que os animais não depositem muita gordura na carcaça, devido ao aumento substancial do consumo de ração após a segunda dose. Isso pode ser contornado com restrição alimentar quantitativa (ajuste de comedouros na terminação) ou qualitativa (adição de ingredientes ou manipulação nutricional que regulem o consumo) expostas no item 1.2.

Invariavelmente, suínos tendem a depositar maior quantidade de gordura subcutânea, utilizando, para isso, a glicose (para a realidade brasileira, particularmente) como substrato. Para a atual realidade de aumento dos pesos de abate, podemos esperar uma habilidade aumentada de lipogênese em detrimento de lipólise, com vários fatores adicionais incidindo sobre esse arranjo metabólico, como sexo, temperatura ambiental e linhagem genética. Devido à redistribuição da deposição de gordura no suíno para outras regiões do corpo que não o ponto P2, surge o novo desafio de caracterizar a deposição em cortes específicos e utilizar tecnologias como relação lisina digestível/energia, ractopamina dietética e/ou imunocastração para manipular a deposição de gordura que atendam nichos mercadológicos diversos.

 

  1. Considerações finais

 

O comprometimento de pesquisas e investimentos na suinocultura permitiram o aumento do peso de abate dos suínos em aproximadamente 30kg nas últimas décadas, sendo o termo “suínos pesados” designado aos animais abatidos com peso mínimo de 130kg (MAPA, 2003). Embora o melhoramento genético realizado ao longo dos últimos anos tenha reduzido consideravelmente o acúmulo de gordura nas carcaças suínas, proporcionando a obtenção de animais com potencial máximo de deposição proteica em pesos superiores, ainda há a cultura que o abate de suínos pesados implicaria em redução da eficiência e piora na qualidade de carcaça. Isso decorre da falta de estratégias nutricionais que potencialize o crescimento em idades avançadas, de acordo com as suas exigências nutricionais.

Fatores relacionados a manejo, nutrição, sanidade, genética e ambiência podem afetar o desempenho dos suínos do crescimento até o abate, o que torna importante, do ponto de vista econômico, reconhecê-los e possibilitar sua modificação, de acordo com os interesses dos produtores, das indústrias ou das cooperativas do setor.

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* Julio Henrique Emrich Pinto é Diretor de Negócios Nutrição – Vaccinar Nutrição e Saúde Animal

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